ENTÃO, A FELICIDADE PÔDE ALCANÇÁ-LOS

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2017 04 05 Cruzeiros (dia 4).JPG

Hoje o dia começou mais cedo. 6h30 da manhã e o corneteiro (com corneta de tropa) tocou para a alvorada, pois a partida do barco às oito, a isso obrigava. Peregrinos de barco? Sim, pois este ano ao fazer a “Ruta del Mar de Arousa” proporcionamos também uma aula de história, fazendo o mesmo percurso que o corpo de Santiago fez quando transportado para Compostela.

A única diferença é que a nossa barca não era de “pedra” (referência aos navios da época que transportavam minerais da Galiza para outras partes do Império Romano) e não transportamos corpos, mas seres (ainda bem) vivos… apesar de alguns, com mazelas evidentes nos membros inferiores. A travessia foi de excelência com as nossas “almas” a serem recebidas a bordo com um digno pequeno almoço, café, leche, chá, croissants e bolinhos, gentileza do capitão…Santiago (nome como o do… Santo…coincidência?). No decurso da viagem passamos na zona de maior cultivo de mexilhão de toda a Espanha, e vimos inúmeros cruzeiros nas margens do rio, em referência a uma espécie de “Via Cucis”. Um desses cruzeiros (imagem junta) simboliza Santiago e os Apóstolos, Teodoro e Atanásio, que trasladaram seu corpo até Compostela. Passamos também junto às Torres de Catoira, fortaleza que servia para manter os Vikings longe da terra. Ao atracarmos em Pontecesures, a 2,5 km de Pádron onde iríamos pernoitar, foi lido o pensamento do dia, que merece ser reproduzido na íntegra:

“Era uma vez um homem que corria pela vida…A vida era curta e necessitava correr muito para gozar muito e ser feliz. E quanto mais corria mais necessitava de correr! Descobria sempre mais lugares por percorrer! Necessitava encontrar tudo e gozar de tudo. Até que um dia, cansado de tanto correr, parou. Então, a felicidade pôde alcançá-lo” (In, Onde há crise há esperança, Vasco Pinto de Magalhães, sj). A leitura esteve a cargo, sem segundas intenções, de um companheiro de muitas peregrinações (Prof. Ribeiro) que passa a vida a…correr e a colocar outros a correr (Braga…a correr, mais propriamente).

Chegados a Pádron, folgadinhos, houve tempo para visitar a Igreja onde se encontra o Pédron (que deu o nome à cidade) onde esteve atracada a barca que transportou Santiago, e os diferentes grupos, desde os “Marelas” aos “Marrecos”, divertiram-se a saltar, dançar, percorrer estabelecimentos comerciais para “cunhar” a credencial, jogar às cartas, dormitar na relva, contar histórias, enfim, ao que parece, deixaram que hoje… a felicidade os alcançasse. Atendendo ao elevado número de participantes, desta vez não conseguimos ficar todos no Mosteiro, tendo um grupo de 20 alunos pernoitado no albergue. O Mosteiro, onde já ficamos noutros anos tem uma história de aparições noturnas, pois no decurso da sua construção a queda de uma parede matou o arquiteto. Consta que ele costuma aparecer quando há inúmeros visitantes, como é o caso, hoje, com a nossa presença. Depois se saberá se apareceu ou não…o que será secundário, pois amanhã será o dia apoteótico da entrada em Santiago, pelo que se hoje digo que a felicidade nos alcançou, amanhã…

Professor Carlos Mangas

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