CANASTROS PARA… O MILHO DO MAR

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Sete da manhã na Galiza, seis em Portugal, noite cerrada, e um professor com um gongo especialmente trazido para o efeito, cria barulho ensurdecedor que fez os alunos pensarem que afinal o ressonar que ouviram durante a noite até era um som minimamente…agradável.

Depois de tudo pronto e arrumado, saímos para o pequeno almoço, seguindo depois para a Santuário da Virgem Peregrina, criado pelo arquiteto Arturo Souto (na Península Ibérica, ser Souto…é meio caminho andado para ser arquiteto) onde estava marcado encontro para a leitura do pensamento do dia e últimas instruções para o percurso de hoje. Feitas as devidas e necessárias explicações, uma vez que pouco km à frente teríamos de deixar o Caminho tradicional Português e seguir para o da Via Espiritual, foi lido o pensamento do dia, hoje ao cuidado de uma professora, nova nestas lides. O de hoje falava sobre objetivos, nada de desistir ou resistir, nem de simplesmente acreditar e seguir sentimentos ou emoções, pois estes/as variam a cada passo. Importante mesmo é lutar para conquistar os objetivos com que nos comprometemos, mesmo que para isso seja necessário recomeçar a cada dia. E como era importante este pensamento de hoje, atendendo ao declive da etapa especialmente a partir da hora do almoço…

Saímos de Pontevedra e fomos alcançados por um grupo de sensivelmente trinta a quarenta ciclistas que faziam o mesmo que nós mas…sentados. Aconteceram, como é normal nestas situações, desejos mútuos de bom caminho, e…nunca mais os vimos. No entroncamento de Pontecabras, entrando na Via Espiritual, seguimos para a esquerda e encontramos já alguns desníveis interessantes, como que a preparar a parte da tarde. Chegamos ao Mosteiro de S. João de Poio, gerido atualmente pelos monges da Ordem da Misericórdia, ao lado do qual se encontra o maior canastro (espigueiro) da Península Ibérica (33,46 metros de comprimento/3,37 de altura). Por falar em canastros, seguimos para Combarro, pequena vila piscatória que tem 37 canastros, o que levou um professor peregrino professor a dizer “isto devem ser canastros para… o milho do mar”. Almoçamos e iniciamos as penosas subidas da tarde, saídos do nível do mar, para acumular um desnível de 500 m rumo ao céu, sentindo a peregrinação já a fazer efeito, essencialmente… nas pernas.

Chegados a Armenteira a meio da tarde, um casal informou-nos que neste inverno passou por cá um grupo de peregrinos ortodoxos russos carregando um andor com uma Santa…percebemos então, a relatividade do peso das nossas mochilas. No Albergue onde supostamente ficaríamos todos, só cabia metade da expedição, pelo que os restantes fomos dormir numa sala contígua ao Mosteiro de Armenteira, com chão aquecido. Há alunos que no regresso a casa já vão dispensar a cama e optar por este “colchão”. Ao jantar começamos a perceber alguma inquietação de alunos que gostam de apoiar clubes de outras regiões do País, que não o Minho, e, com recurso a um portátil montamos um estádio em Armenteira. Felizmente (já que não podiam perder os dois) empataram, e assim todos se deitaram minimamente felizes.

A noite, ao que parece, foi bem mais silenciosa para os alunos que dormiram no Albergue. Não sei se o facto de os professores que dão concerto de metais durante a noite, ter vindo dormir ao mosteiro, teve influência…

Professor Carlos Mangas

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